Ele veio de novo.Entrou sem pedir licença, e do mesmo jeito saiu.
Não ficou mais que cinco minutos. Nunca fica, quem sabe dez, no máximo.
O tempo de um café.
Muito e muito pouco.
Acho que não o conheço direito, talvez nunca tive oportunidade. Talvez ele nunca quis.
Como eu posso saber? De maneira alguma.
A falta de assunto é desagradável, e isso me traz a impressão de que somos desconhecidos. Cara a cara.
Apesar de tudo, ele não deixa de ser quem é para mim (só as vezes).
Ausência.
Já pensei em me aproximar, mas talvez não fosse uma idéia muito boa. Temos vidas diferentes, e de certa forma, distantes.
Não o culpo, sei que não é fácil lidar comigo.
Não pedi isso, não pedi assim, e não estou reclamando.
Não o escuto. Ou será que é ele que não diz?
Não sei se sinto saudades, normal seria se sim, mas "não sei" é realmente estranho.
De qualquer forma, não gosto muito das visitas, pois cada vez que ele vira as costas e se vai, leva um pedaço de mim.
Lembro-me da primeira vez que ele se foi. Voltou algumas vezes, não com muita freqüência, mas voltou.
E ainda volta... Sei que voltará mais vezes. O problema é: quando?
Terapia!
Porque?
Você se importa?
(...)
Eu acho que isso é um não.
Mas o que posso fazer? Ele é maravilhoso!
Me vê mais uma xícara, eu preciso exagerar um pouco mais enquanto espero ele voltar outra vez.
